Sobre a Mata Atlântica

atlantic forest

Um dos hotspots mais importantes do mundo, a Mata Atlântica é um lugar de beleza e biodiversidade extraordinárias. Tragicamente, grande parte da sua variedade imensa de fauna e flora se encontra gravemente ameaçada pela perda de habitat.

Bem diferente da sua conterrânea mais famosa, a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica é, também, úmida, com uma média de 2000 mm de chuva por ano, mas não é tão quente como a outra: tendo temperaturas que variam entre 14 a 21°C. Essa grande variação de temperatura contribui para a variedade enorme de plantas e animais que a floresta abriga.

A Mata Atlântica situa-se entre o Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul e se espalha da costa marítima até as montanhas. A vegetação da floresta varia muito de acordo com a latitude e a altitude e, como resultado, existem várias classes de floresta, que incluem:

  • Floresta tropical úmida. Encontrada na região das planícies costeiras, reconhecida por sua fisionomia densa e alta, uma camada mais escassa de árvores pequenas, arbustos e palmeiras e grande número de lianas e epífitas. Não sobrou muito desse tipo de floresta.
  • Floresta tropical semi-decídua. Encontrada nos planaltos, na região do interior do país, serras de SP, PR, MG. No Nordeste é caracterizada pela transição de matas de brejos úmidos para a vegetação da caatinga.

No Sul do Brasil esta floresta está salpicada com araucárias. A floresta tem uma camada superior de 30m de altura e abaixo desta cresce uma camada de aproximadamente 20m de altura.

  • Floresta montanhesca baixa. Encontrada em altitudes acima de 800m do nível do mar. Tem entre 12 e 25m de altura, maior densidade de árvores menores e grande diversidade biológica. Acima de 1200m há desde vegetação de arbustos até florestas nebulares.
  • O mangue. Localizado ao longo dos estuários, distribuídos entre latitudes inter-tropicais. Ocorre em solos lodosos, deposição de sedimentos nos fundos das baías e nos estuários, sujeitos a influência das águas salobras.

A floresta circundando o Centro de Pesquisas Iracambi está numa área com altitudes variando entre 800 e 1300m, sendo classificada como floresta estacional semi-decídua.

Biodiversidade

A Mata Atlântica apresenta habitats para flora e fauna até mais ricos que os da Floresta Amazônica.  A maior diversidade de plantas lenhosas por hectare (458 espécies) foi encontrada na Mata Atlântica. Enquanto em toda América do Norte podem ser encontradas aproximadamente  810 espécies de aves, somente no estado de Minas Gerais – com área menor que o estado do Texas, nos EUA – existem 750 espécies. Nas matas de Iracambi a lista, ainda incompleta, já alcançou 260 espécies.

Uma quantidade extraordinária de espécies é endêmica, ou seja, encontradas somente nessa região. São endêmicas:

  • 80% dos primatas
  • 74% das bromélias
  • 64% das palmeiras
  • 54% das árvores
  • 40% dos mamíferos, borboletas, répteis, anfíbios e aves

Esta riqueza biológica está altamente ameaçada.  Segundo um relatório do IBAMA de 2003, de todas as espécies ameaçadas no país, uma alta porcentagem vem da Mata Atlântica. Dos 69 mamiferos altamente ameaçados, 38 são da Mata Atlântica, junto com 18 das 160 espécies de aves e 13 das 20 espécies de répteis. Existem 21 espécies e subespécies de primatas na Mata Atlântica, das quais 14 estão ameaçadas e 13 são endêmicas. Uma das maiores populações do macaco muriqui – o maior primata das Américas – se encontra nas florestas da Serra do Brigadeiro, perto de Iracambi.

Muito se fala da destruição da Floresta Amazônica, mas o fato é que a situação da Mata  Atlântica está muito mais crítica. Aproximadamente 20% da Floresta Amazônica foi destruída enquanto na Mata Atlântica foram 93%, junto com boa parte das espécies que alí existem. A taxa de desmatamento continua a ser altamente preocupante. No ano 1988 a Mata Atlantica foi tombada como patrimônio nacional. O governo proibiu o corte e o desmatamento, mas a destruição continua.

Este processo de desmatamento tem deixado a Mata Atlântica mineira muito fragmentada. Ao sobrevoar o estado você verá um mosáico de fragmentos florestais, em vez da vasta extensão de floresta na Amazônia. O Parque Estadual da Serra do Brigdiero, com suas 15.000 ha, . compõe uma das maiores e mais importantes áreas de floresta remanescente do estado.

Da teoria de biogeografia, sabemos que quanto menor um fragmento florestal, menos espécies  ele pode sustentar. Na medida que os fragmentos diminuem, aumenta a perda de espécies. Uma conseqüência importante para Iracambi é que deveríamos fazer o possível para assegurar que o processo de fragmentação seja parado e que a floresta seja restaurada.  Nossa prioridade na conservação da biodiversidade é a prevenção da perda de habitat, e o aumento do tamanho dos fragmentos, através da criação e gestão de áreas protegidas, plantio de enriquecimento e reflorestamento nas áreas degradadas.